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31/05/2012 - 06h00 / Atualizada 31/05/2012 - 14h15

Oposição do Palmeiras apura atuação de empresário e suposto 'esquema São Caetano'

Danilo Lavieri
Do UOL, em São Paulo*

Conselheiros ligados à oposição do Palmeiras levantaram suspeitas em torno da atuação do empresário e ex-jogador Giuliano Aranda. As suspeitas são de que Magrão, como é conhecido o agente, estaria aproveitando o fato de ser genro de Nairo Ferreira, presidente do São Caetano, para conduzir negociações entre os dois clubes, beneficiar a equipe do ABC e ganhar porcentagens em cima dos negócios.

OS MOTIVOS DA DISCÓRDIA

Betinho veio do São Caetano após o fim de seu contrato no Azulão
Mazinho e Fernandinho vieram do Oeste, mas têm direitos econômicos no São Caetano
Depois de sair do Palmeiras, Carmona foi para o S. Caetano e já tem proposta
Lateral direito Artur é do S. Caetano e chegou ao Palestra por empréstimo
Luan é de Magrão e custou R$ 500 mil de comissão
Patrik outro jogador de Magrão que, segundo conselheiro, é favorecido

Nos últimos cinco meses, quatro jogadores que chegaram ao Palmeiras têm algum tipo de ligação com o São Caetano: Artur, Betinho, Fernandinho e Mazinho. O primeiro tem os direitos econômicos presos ao time do ABC e está no Palestra Itália por empréstimo. O segundo, por sua vez, chegou ao time de Felipão após ter seu vínculo encerrado com a equipe do Anacleto Campanella.

Já Mazinho e Fernandinho, que chegaram no início de maio vindos do Oeste, têm parte de seus direitos econômicos no Azulão. A divisão com o São Caetano foi confirmada pelo diretor de futebol da equipe do interior paulista, Cidão de Freitas.

Há ainda o caso de Pedro Carmona. O jogador foi dispensado do Palmeiras no mês passado e acertou com o São Caetano. A oposição palmeirense, no entanto, lamenta que o clube alviverde não tenha negociado o meia em janeiro, quando recebeu uma proposta do futebol japonês.

Coincidentemente, o presidente do time do ABC confirmou também ter recebido uma proposta por Pedro Carmona e estuda negociá-lo. O meia disputou apenas um jogo pelo São Caetano.

“O Carmona vai para o São Caetano e vai ser vendido por lá, tem outros vários jogadores do São Caetano caindo de paraquedas aqui. Eu não posso afirmar nada, mas tudo isso é estranho”, reclamou o oposicionista Seraphim Del Grande, ex-diretor de futebol do Palmeiras.

Além dessa proximidade com o São Caetano, os oposicionistas também lançam dúvidas por conta da proximidade de Magrão com Galeano, já que o empresário era justamente quem cuidava, mesmo que de modo informal, da carreira do agora gerente de futebol palmeirense.

No ano passado, Magrão já havia sido alvo de polêmica no Palmeiras. Empresário de Luan, ele foi decisivo para a transferência do atacante, no ano passado. Os oposicionistas, no entanto, reclamaram do fato de o agente ter recebido duas comissões (uma pelo empréstimo e, posteriormente, uma de R$ 500 mil, pela negociação definitiva), já que a prática não é comum no futebol.

LUAN CUSTOU R$ 500 MIL DE COMISSÃO

  • Reprodução

    Palmeiras pagou ao empresário Magrão R$ 500 mil para contratar Luan

POR ONDE ANDA?

  • Magrão, ex-atacante do Palmeiras e de outros times, hoje é empresário de futebol. Leia mais na seção "Que Fim Levou", de Milton Neves

 

Além de Luan, Magrão também é empresário de Patrik. O jogador foi contratado pelo Palmeiras quando estava no São Caetano. Apesar de, inicialmente, ficar na equipe B alviverde, foi alçado ao elenco principal assim que Galeano foi contratado como gerente de futebol.

O UOL Esporte conversou com Nairo Ferreira, Magrão e Galeano. O presidente do São Caetano confirmou que o empresário é casado com sua filha, mas negou que este fato esteja favorecendo o clube que preside em negociações com o Palmeiras.

O empresário justificou a investigação envolvendo a sua atuação no clube alviverde como parte de um jogo político. “Eu fui jogador na época do Seraphim, por exemplo, e ele é um dos que está reclamando. Entendo que ele faça isso por estar na oposição e queira atacar a situação. Mas não tem nada disso”, disse Magrão.

Já Galeano, por sua vez, não nega nenhuma informação e, assim como Magrão, também credita a investigação aos problemas políticos internos do clube. “Aqui no Palmeiras tudo tem um fundo político. Mas vale ressaltar que o Patrik, por exemplo, foi contratado justamente pelo Seraphim”, completou.

O empresário, por meio da sua assessoria de imprensa, negou qualquer ligação com Galeano e ter se beneficiado com as negociações entre São Caetano e Palmeiras.

Confira a nota:

"A respeito das últimas informações divulgadas pela imprensa, o empresário Giuliano Aranda vem por meio de sua assessoria esclarecer que: 

Inicialmente lamenta a falta de responsabilidade de alguns dirigentes ao levantarem acusações sem nenhum tipo de prova e, principalmente, usar a imprensa como plataforma política, já que se aproximam as eleições na Sociedade Esportiva Palmeiras. 

Giuliano Aranda trabalha diretamente apenas com o atacante Luan Michel de Louzã e com o meia Patrick Camilo, atualmente no Palmeiras. O empresário afirma que não tem nenhum tipo de ligação com os outros atletas citados na matéria do Portal UOL vinculando seu nome.

Giuliano Aranda também ressalta que além do Palmeiras, agencia jogadores em diversas outras equipes tanto no Brasil quanto fora do país e lamenta ser alvo de acusações “vazias” e oportunistas.

O agente rechaça qualquer tipo de ligação direta com o ex-jogador Galeano, atualmente coordenador técnico do Palmeiras. Ambos apenas jogaram juntos.

O empresário faz questão de ressaltar que seu vinculo familiar com o presidente do A.D. São Caetano, Nairo Ferreira de Souza não interfere em sua atuação profissional, que é independente e dentro da ética.

Giuliano Aranda já comunicou seus advogados, que vão tomar as medidas cabíveis na justiça contra as falsas informações.”

*Atualizado às 13h42

Luiz Felipe Scolari
Luiz Felipe Scolari
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