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29/01/2013 - 06h00 / Atualizada 29/01/2013 - 06h00

Cruzeiro 'importa' tecnologia médica usada pelo Real Madri para prevenir lesões musculares

Gabriel Duarte
Do UOL, em Belo Horizonte

O Cruzeiro introduziu na pré-temporada a utilização de duas tecnologias que prometem ajudar na prevenção de lesões musculares e a busca pelo melhor rendimento dos jogadores. Quem desenvolve o trabalho na Toca da Raposa é o fisiologista do clube, Eduardo Pimenta, que fez doutorado na Espanha, onde manteve contato com o departamento médico do Real Madrid, de onde veio a descoberta desses dois processos utilizados pelo clube europeu desde a década passada.

O primeiro procedimento é a análise do jogador por meio da carga genética, para verificar qual o seu “ponto forte” (resistência, velocidade) e detalhar, assim, exercícios específicos durante a temporada. O outro é a termografia, que detecta por meio do calor do corpo, quais áreas estão mais propensas a sofrer contusões. O objetivo é diminuir de 10% a 15% as lesões ao ano.

As técnicas, segundo o profissional celeste, surgiram em pesquisas acadêmicas espanholas e foram publicadas em revistas científicas. Em 2009, o Cruzeiro iniciou os estudos nas categorias de base. Até o final de 2011, segundo Pimenta, houve diminuição de 10 a 15% de lesões musculares entre os garotos.

Para detalhar os genes, o Cruzeiro faz uma raspagem na mucosa da boca dos atletas. O material é coletado e enviado a laboratórios responsáveis por fazer a análise genética. Um relatório é enviado ao departamento médico do clube celeste, que começa a determinar qual característica precisa ser trabalhada mais intensivamente.

  • Washington Alves/Vipcomm

    Meia-atacante Diego Souza, uma das principais contratações do Cruzeiro para 2013, será um dos beneficiados pelas duas novas tecnologias médicas para prevenção de lesões musculares

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“Existem três indivíduos: o RR, com vantagem de velocidade, tem muita proteína da velocidade. RX é um atleta misto, com resistência e velocidade. Com uma existência muito maior. E o XX é resistência, mas tem pouca velocidade. No Cruzeiro, temos os três tipos”, explicou o fisiologista.

Segundo Eduardo Pimenta, essa técnica é exclusivamente utilizada, no Brasil, pelo Cruzeiro. A mesma é usada por Real Madrid e Zaragoza, de acordo com o fisiologista. Sabendo a carga genética dos jogadores, o Cruzeiro confronta as informações fazendo também um exame de termografia.

A técnica consiste na fotografia do corpo inteiro dos jogadores, por meio de um aparelho que detecta a diferença de temperatura nos diversos membros. A partir disso, é possível detectar quais locais estão mais propensos às lesões.

“Assim, vamos poder identificar o desgaste do atleta. Com isso, vocês vão ver alguns atletas treinando de maneira diferente. Não vai tirar ninguém de jogo, mas sim reajustar quantitativa e qualitativamente o treinamento e fazer com que ele tenha o melhor rendimento possível em campo”, afirmou Eduardo Pimenta.

Cruzeiro/Divulgação
Digo que a gente já está colhendo frutos com pouco tempo. Um jogador chega para o treinamento, a gente pergunta se ele está com dor e ele não se queixa. Mas aí ele faz o exame e a gente verifica que aparece alteração. Perguntamos de novo a ele e ele confessa a dor. Então, isto tem sido bom, mesmo com pouco tempo, para nos ajudar na prevenção

Sérgio Freire Júnior, médico do Cruzeiro

A análise termográfica é feita em todos os atletas antes de todos os treinamentos, a fim de detectar regiões propícias a lesões. Segundo o médico do Cruzeiro, Sérgio Freire Júnior, a tecnologia auxilia no trabalho preventivo, no diagnóstico e até no acompanhamento de lesões.

“Digo que a gente já está colhendo frutos com pouco tempo. Um jogador chega para o treinamento, a gente pergunta se ele está com dor e ele não se queixa. Mas aí ele faz o exame e a gente verifica que aparece alteração. Perguntamos de novo a ele e ele confessa a dor. Então, isto tem sido bom, mesmo com pouco tempo, para nos ajudar na prevenção”, afirmou Sérgio Freire.

Ele explicou que antes da implantação da metodologia, o Cruzeiro fez análises sobre a eficácia. “A gente andou lendo, vendo algumas coisas, tanto o Eduardo Pimenta, na parte da fisiologia, como eu, no departamento médico, antes de adquirir o aparelho e vimos que era uma situação que iria nos auxiliar bastante no dia a dia. Tratamos de uma situação subjetiva do atleta, que é a dor. Então, o aparelho nos ajuda a verificar este tipo de situação”, observou o médico.

Para Eduardo Pimenta, o hábito de vida do jogador também influencia no rendimento e no desgaste muscular. Assim, a nova técnica não “salva” os jogadores de ter contusões musculares. “Com as novas técnicas, os jogadores terão tratamento individualizados nas atividades. Isso vai ajudar também na longevidade dos jogadores, que poderão chegar a 38, 39 anos, atuando em um nível aceitável para o futebol de hoje”, observou o profissional, completando que as técnicas vão ajudar também nos “períodos críticos” da temporada.

“Setembro negro e junho negro. Setembro é o mês de maior incidência no Brasil, porque coincide com o período de acúmulo de jogos. E junho é a transição dos estaduais para o Brasileiro e também com a troca de jogadores. Os clubes já sabem disso e algumas condutas aqui serão modificadas”, afirmou Eduardo Pimenta.